Roteiro N1 – Percurso

A evolução do Percurso entre Lisboa e Porto

Entre os vários itinerários dos tempos do Império Romano destaque-se o ITINERARIO XVI, de Braga (BRACARA) à Porto (CALE) à Coimbra (AEMINIUM) à Lisboa (OLISIPO) numa extensão de CCXLIIII (243) milhas. Uma milha romana imperial teria, 5 000 pés romanos (1 pé medindo 29,6 cm), deste modo uma milha correspondia a 1.418 metros e a distância total deste itinerário seria de 345 Km.

O itinerário romano de Bracara Augusta a Olisipo utiliza várias vias independentes. Inicialmente seguia a via romana de Bracara a Cale num total de 35 milhas por um trajeto hoje praticamente seguro e bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências).

O troço seguinte ligava Porto a Coimbra pela via romana de Cale a Aeminium com duas estações de permeio, Langobriga e Talabriga por um percurso que ainda suscita algumas dúvidas dado que apenas conhecemos 4 miliários atribuíveis a esta via.

Daqui seguia para a cidade de Conímbriga, onde se registam mais 5 miliários, e 8 milhas depois temos novo miliário no sítio de Tamazinhos, atestando a continuação da via rumo a Tomar (SEILIUM).

O percurso continuava com a via que ligava Conimbriga a Collippo (a sul de Leiria), seguindo um percurso mais próximo do litoral que passando por Eburobrittium (na base do Castelo de Óbidos) rumo a Olisipo (Lisboa).

Mas os Romanos já pensavam numa rede de estradas e não apenas numa ligação.

Assim era possível seguir o percurso até Tomar continuar pela via que ligava Tomar à travessia do rio Tejo em Tancos, seguindo depois de encontro ao ITINERARIO XVIV, de Lisboa (OLISIPO) à Alter do Chão(ABELTERIO)à Mérida (EMERITA).

Ou ainda pela via que ligava Tomar a Santarém (SCALLABIS) e daqui até Lisboa.

Apesar das dúvidas sobre o percurso exato da era romana, devido sobretudo às alterações operadas na paisagem, e à falta dos miliários usados na marcação das estradas romanas esta ligação Porto Lisboa, segue genericamente a rota das atuais estradas, EN1 do Porto para Coimbra, EN110 para Tomar, EN365 para Santarém, continuando até à Ota, onde reencontra a EN1, seguindo depois por Alenquer, Vila Franca de Xira, Alverca e Loures para Lisboa.

Na Idade Média, as vias romanas já não existiam e já não cumpriam o objetivo duma rede viária. As que existiam eram poucas, de terra batida e estreitas, podendo ser ladrilhadas ou calcetadas nos centros urbanos mais importantes. Até à segunda metade do século XVIII as deslocações faziam-se a pé com a ajuda de animais ou mesmo por via fluvial e marítima.

No início do século XIX, o percurso entre Lisboa/Porto, por estrada, era ainda impossível por falta de ponte sobre o Rio Trancão, em Sacavém, que só ficou concluída durante o ano de 1843. O percurso que já havia existido no tempo dos romanos utilizava, a ponte sobre o Trancão desaparecida no século XV ou XVI.

A implantação do serviço de mala-posta diário, a partir de 1852, obrigou à construção de pontes e de estradas no percurso de Lisboa ao Porto, sendo atribuído maior importância à construção da estrada Lisboa/Coimbra, por onde se iniciou o serviço de transporte de correio e passageiros. Numa primeira etapa a ligação era feita via fluvial por embarcação a vapor de Lisboa até ao Carregado, e daqui, por um troço de estrada até Coimbra. Este percurso era percorrido, em 1854, em 23 horas.

Entre 1857 e 1859 foi aberto o troço até Vila Nova de Gaia, elevando a viagem a um total de 34 horas.

Durante a Monarquia a legislação mais relevante, a Carta de Lei de 1862, diferencia a rede rodoviária em estradas reais, estradas distritais e estradas municipais e define as suas características e responsabilidades de construção e manutenção.

Em 1926 é publicado o decreto 12.100 de 31 de julho em que é aprovado o plano geral das estradas nacionais de 1ª e 2ª classe do continente da república, organizado de harmonia com a Lei de 22 de fevereiro de 1913 em que classifica as estradas em classes e se referem várias ligações entre várias localidades. Entre elas surge a ligação Porto Lisboa e as localidades por onde passava, bem como identificava a numeração das estradas utilizadas.

Depois dos itinerários e das vias romanas, do desenvolvimento provocado pela criação do serviço da mala-posta e do percurso conhecido e comprovado pela existência das várias estações de apoio, este é o percurso mais estruturado e informado sobre a ligação entre as duas maiores cidades do país.

O Plano Rodoviário Nacional de 1945 formalizou a associação da designação de Estrada Nacional n. º 1 ou Estrada Lisboa-Porto, com o traçado nele indicado.

Com a entrada em vigor do Plano Nacional Rodoviário de 1985, é criado o IC2 – Itinerário Complementar N.º 2, uma via rodoviária que consiste numa variante contínua, à Estrada Nacional nº1, ligando as duas principais cidades portuguesas, Lisboa e Porto.

Com a entrada em vigor do Plano Nacional Rodoviário de 1985, foram sendo construídas mais variantes nos pontos mais críticos do percurso em termos de tráfego, tendo estas sido sinalizadas como IC2 e não como EN1.

Em 1961, foi inaugurado o primeiro troço da futura A1, com 26km. Uma vez que na época não havia uma numeração separada para as autoestradas, este troço foi numerado como N1, tendo o traçado original da N1 sido renomeado para N10. Com a atribuição de numeração separada para as autoestradas, esta secção de autoestrada passou a ser parte integrante da A1, pelo que a N1 passou a ter o seu início em Vila Franca de Xira.

Com o avanço da construção da A1 nas décadas de 1970 e 1980, a EN1 foi perdendo o papel de principal via de comunicação entre as duas maiores cidades portuguesas, tendo sido definitivamente relegada para segundo plano com a abertura do último troço da Autoestrada do Norte, a 13 de setembro de 1991.

O Percurso entre Lisboa e Porto pela N1 na atualidade.

A N1, entre 1945 e 1991, assumiu o papel de principal via de comunicação entre Lisboa / Região Sul e Porto / Região Norte de Portugal.

O seu traçado original atravessava o centro de 14 sedes de concelho, atravessando seis distritos. Atualmente, apenas as travessias da Mealhada e Vila Franca de Xira são efetuadas pelo traçado original sem que haja alternativa gratuita, já que vários troços sofreram pequenas correções ou foram substituídos por variantes em formato de via rápida, sendo as mais importantes aquelas que contornam as cidades de Leiria, Coimbra, Rio Maior, Águeda, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira. Estes troços formam o IC2, em conjunto com a maior parte do traçado original da Nacional 1 entre o Carregado e os Carvalhos (sinalizado como N1-IC2).

A N1 na partida / chegada de Lisboa.

Sendo verdade que, formalmente, a N1 começa em Vila Franca de Xira e que o troço entre Sacavém e esta cidade foi integrado na N10, também é verdade que junto, a Castanheira do Ribatejo, existem os marcos indicativos dos quilómetros 27 a 31, que o Posto da BP na Nacional 1, em Castanheira do Ribatejo fica ao Km 30,5 e que ainda existem muitas referencias que continua a usar o Km 0 em Sacavém.

Tentando encontrar o ponto de partida para o percurso da N1, o mais aproximado possível ao original, e tendo ainda algumas memórias do percurso até à antiga rotunda da Encarnação, com recurso ao Google Maps procurei o início na N10 e confirmei que o atual percurso a partir da rotunda, junto à rua Vasco da Gama, até ao já referido posto da BP é de 30,3 Km.

A N1 na chegada / partida do Porto.

Antes de 1963 a ligação ao porto era feita pela Ponte Luiz I, inaugurada em 1886, e que ainda hoje serve os fins para que foi construía, pelo tabuleiro inferior, e de passagem do Metro, pelo tabuleiro superior.

Encontrar o antigo percurso da N1 entre os Carvalhos e a Ponte Luiz I, agora só possível até ao jardim do morro, não é tarefa fácil, pois o mapa mais antigo que tenho é de 1978.

No entanto, através de várias pesquisas na internet, mapas antigos e outros documentos, julgo que o mapa abaixo deve representar um percurso muito aproximado ao antigo itinerário.

Mas o mais seguro é seguir as indicações do google, ou de outro sistema, impondo como obrigatória a passagem pelos pontos onde não há dúvida que a N1 passava (Santo Ovídio, Avenida da República, Ponte Luiz I, etc.).

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