Época Romana
As estradas romanas eram uma infraestrutura física vital para a manutenção e desenvolvimento do Império Romano e foram construídas a partir dos anos 300 AC., permitindo a expansão e consolidação do Império.
Entre os vários itinerários dos tempos do Império Romano destaque-se o ITINERARIO XVI, de Braga (BRACARA) ao Porto (CALE) a Coimbra (AEMINIUM) e Lisboa (OLISIPO), numa extensão de CCXLIIII (243) milhas. Uma milha romana imperial teria, 5 000 pés romanos (1 pé medindo 29,6 cm), deste modo uma milha correspondia a 1.418 metros e a distância total deste itinerário seria de 345 Km.
O itinerário romano de Bracara Augusta a Olisipo utiliza várias vias independentes. Inicialmente seguia a via romana de Bracara a Cale num total de 35 milhas por um trajeto hoje praticamente seguro e bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências.
O troço seguinte ligava Porto a Coimbra pela via romana de Cale a Aeminium com duas estações de permeio, Langobriga (Fiães) e Talabriga (Marnel, Lamas do Vouga), por um percurso que ainda suscita algumas dúvidas dado que apenas conhecemos 4 miliários atribuíveis a esta via.
Daqui seguia para a cidade de Conímbriga, onde se registam mais 5 miliários, e 8 milhas depois temos novo miliário no sítio de Tamazinhos, atestando a continuação da via rumo a Tomar (Seilium).
O percurso continuava com a via que ligava Conimbriga a Collippo (a sul de Leiria), seguindo um percurso mais próximo do litoral que passando por Eburobrittium (na base do Castelo de Óbidos) rumo a Olisipo (Lisboa).
Idade Média
Na Idade Média, as estradas eram poucas, de terra batida e estreitas, podendo ser ladrilhadas ou calcetadas nos centros urbanos mais importantes. Até à segunda metade do século XVIII as deslocações faziam-se a pé com a ajuda de animais ou mesmo por via fluvial e marítima.
Século XIX
No início do século XIX, o percurso entre Lisboa/Porto, por estrada, era ainda impossível por falta de ponte sobre o Rio Trancão, em Sacavém, que só ficou concluída durante o ano de 1843. Note-se que esse percurso já havia existido no tempo dos romanos tendo a ponte sobre o Trancão desaparecido no século XV ou XVI.
A implantação do serviço de mala-posta diário, a partir de 1852, obrigou à construção de pontes e de estradas no percurso de Lisboa ao Porto, sendo atribuído maior importância à construção da estrada Lisboa/Coimbra, por onde se iniciou o serviço de transporte de correio e passageiros. Numa primeira etapa a ligação era feita via fluvial por embarcação a vapor de Lisboa até ao Carregado, e daqui, por um troço de estrada até Coimbra. Este percurso era percorrido, em 1854, em 23 horas.
Entre 1857 e 1859 foi aberto o troço até Vila Nova de Gaia, elevando a viagem a um total de 34 horas.
Durante a Monarquia a legislação mais relevante, a Carta de Lei de 1862, diferencia a rede rodoviária em estradas reais, estradas distritais e estradas municipais e define as suas características e responsabilidades de construção e manutenção.
Século XX
Em 1926 é publicado o decreto 12.100 de 31 de julho em que é aprovado o plano geral das estradas nacionais de 1ª e 2ª classe do continente da república, organizado de harmonia com a Lei de 22 de fevereiro de 1913 em que classifica as estradas em classes e se referem várias ligações entre várias localidades. Entre elas surge a ligação Porto Lisboa e as localidades por onde passava, bem como identificava a numeração das estradas utilizadas.
Depois dos itinerários e das vias romanas, do desenvolvimento provocado pela criação do serviço da mala-posta e do percurso conhecido e comprovado pela existência das várias estações de apoio, este é o percurso mais estruturado e informado sobre a ligação entre as duas maiores cidades do país.

O Plano Rodoviário Nacional de 1945 formalizou a designação de Estrada Nacional 1, EN1 ou N1 com o traçado que ainda hoje é possível identificar, mas que foi sujeita a várias alterações pontuais e estruturais.

Entre 1945 e 1991, assumiu o papel de principal via de comunicação entre Lisboa / região Sul e o Norte de Portugal, principalmente com a cidade do Porto.
O seu traçado original atravessava o centro de 14 sedes de concelho, atravessando seis distritos. Atualmente, apenas as travessias da Mealhada e Vila Franca de Xira são efetuadas pelo traçado original, já que vários troços sofreram pequenas correções ou foram substituídos por variantes em formato de via rápida, sendo as mais importantes aquelas que contornam as cidades de Leiria, Coimbra, Rio Maior, Águeda, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira. Estes troços formam o IC2, em conjunto com a maior parte do traçado original da Nacional 1 entre o Carregado e os Carvalhos (sinalizado como N1-IC2).
Em 1961, foi inaugurado o primeiro troço da futura A1, com 26 km. Uma vez que na época não havia uma numeração separada para as autoestradas, este troço foi numerado como N1, tendo o traçado original da N1 sido renomeado para N10. Com a atribuição de numeração separada para as autoestradas, esta secção de autoestrada passou a ser parte integrante da A1, pelo que a N1 passou a ter o seu início em Vila Franca de Xira.
Com o avanço da construção da A1 nas décadas de 1970 e 1980, a EN1 foi perdendo o papel de principal via de comunicação entre as duas maiores cidades portuguesas, tendo sido definitivamente relegada para segundo plano com a abertura do último troço da Autoestrada do Norte, a 13 de setembro de 1991.
Com a entrada em vigor do Plano Nacional Rodoviário de 1985, é criado o IC2 – Itinerário Complementar N.º 2, uma via rodoviária que consiste numa variante contínua, à Estrada Nacional nº1, ligando as duas principais cidades portuguesas, Lisboa e Porto.

Com este objetivo foram construídas mais variantes, nos pontos mais críticos do percurso em termos de tráfego.
Século XXI
O Plano Rodoviário Nacional (PRN2000), publicado em 2000, é um desenvolvimento do plano rodoviário de 1985, que por sua vez tinha substituído o de 1945.
O PRN2000 define a Rede Rodoviária Nacional como sendo constituída pela:
- Rede Fundamental, constituída por Itinerários Principais (IP);
- Rede complementar, constituída por Itinerários Complementares (IC), e que podem ter troços de diferentes tipologias: autoestrada, via rápida ou estrada. Na rede complementar, além dos IC, foram ainda incluídas as Estradas Nacionais (EN) que constituíam a Rede Rodoviária Nacional estabelecida em 1945 e que, no plano de 1985, eram apenas genericamente identificadas como “outras estradas”.
- Rede Nacional de Autoestradas, assume um estatuto de rede própria, sobreposta às Redes Fundamental e Complementar. Cada uma das autoestradas tem uma numeração própria, independente da numeração dos troços de IP ou IC aos quais se sobrepõe.
O PRN2000 refere-se ainda às Redes de Estradas Municipais e cria um novo tipo de estradas, as Estradas Regionais (ER) a partir da transformação de parte das antigas EN.
Com a entrada em vigor do Plano Nacional Rodoviário de 2000, é mantido o IC2 – Itinerário Complementar N.º 2, e a Estrada Nacional nº1, ligando as duas principais cidades portuguesas, Lisboa e Porto, coincidindo muitas vezes no seu percurso e diferentes tipologias: autoestrada, via rápida ou estrada.